ZERO APELA A POSIÇÃO FIRME SOBRE AUTOMÓVEIS COM MOTOR A GASOLINA

ZERO APELA A POSIÇÃO FIRME SOBRE AUTOMÓVEIS COM MOTOR A GASOLINA

A Associação ambientalista ZERO denuncia que governos e fabricantes de automóveis estão a tentar que os novos automóveis com motor a gasolina possam ser autorizados a emitir partículas num nível para além de cem vezes superior ao atual e, assim, evitar a instalação de um filtro de partículas para gasolina que custa apenas 25 euros. A evidência surgiu de fugas sobre os projetos de regulamentos da União Europeia, as posições dos governos e documentos da indústria automóvel obtidos pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E). Os esforços concertados para enfraquecer a já insuficiente proposta de emissões reais de condução (RDE – Real Driving Emissions) – a ser acordada com os Estados-membros até o final do ano – estão a abrir caminho para um futuro escândalo de poluição do ar, um ‘Petrolgate‘.

De acordo com a proposta da Comissão Europeia, entretanto conhecida, a partir de 2018 todos os automóveis novos teriam permissão para emitir 50% a mais de partículas carcinogénicas do que o permitido na norma Euro 6, legislação relativa às emissões para a atmosfera e com impacte na qualidade do ar. Alguns governos, incluindo os de Espanha e Suécia, querem adiar esta introdução por um ano e permitir estas emissões mais elevadas de partículas. Ao mesmo tempo, a indústria automóvel quer permitir que as emissões possam inclusive ser 300% superiores, permitindo que os fabricantes de automóveis evitem a instalação de um filtro de gasolina partículas. Se o carro for equipado com este filtro, as emissões seriam cerca de 100 vezes menor do que sem ele.

O escândalo “Dieselgate” centrou-se sobre as elevadas emissões de óxidos de azoto (NOx) dos motores a gasóleo, mas os motores avançados de gasolina com injeção direta avançada são agora a principal preocupação com elevadas emissões de número de partículas, muitas das quais são tão pequenas que são capazes de transportar metais tóxicos e hidrocarbonetos diretamente para o sangue através dos pulmões. Para enfrentar elevadas emissões de escape elevadas, a CE propôs um terceiro pacote relativo a emissões reais de condução (RDE) a ser implementado a partir de 2018 para todos os veículos novos.

O projeto de regulamento abre também a porta para apenas um teste de automóveis que utilizam misturas de gasolina que produzem menos partículas. A Comissão também propõe instrumentos de medição que não conseguem contar algumas das partículas menores – embora seja precisamente estas que causam maiores danos.

De acordo com os dados a que a Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), a ZERO considera que se até agora a elevada poluição do ar nas nossas cidades tem sido em grande parte causada por veículos a gasóleo equipados com um tratamento de escape ineficaz e barato que permite emissões de óxidos de azoto (NOx) cinco vezes acima do limite legal, testes fracos e autoridades de homologação comprometidas têm permitido aos fabricantes continuar impunes. Agora perspetiva-se uma nova fonte de emissões de partículas associada aos veículos a gasolina com motores avançados. Uma solução barata e eficaz existe através da instalação de um filtro de partículas para gasolina, mas os fabricantes de automóveis querem afrouxar as condições de teste para que possam salvar 25 euros, o valor necessário para resolver o problema.

 

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